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Frete aumentou? Entenda os principais fatores

aumento do frete

Nos últimos anos, o custo do frete tem sido um dos grandes desafios do setor logístico e do comércio exterior. Em 2024, os preços do transporte rodoviário subiram significativamente e, além disso, 2025 já começou com um aumento médio de 2,35% no valor do frete por quilômetro rodado. Mas afinal, quais são os fatores que estão impulsionando essa alta? Como essa situação impacta o mercado e quais são as perspectivas para os próximos meses?

Neste artigo, vamos explorar os principais fatores que influenciam o aumento do frete, sua relação com a inflação dos alimentos e o impacto direto no agronegócio e na economia como um todo.

 

Os Principais Fatores por Trás do Aumento do Frete

O frete rodoviário é o principal meio de transporte de cargas no Brasil. De acordo com especialistas, cerca de 91% das cargas do agronegócio dependem das rodovias, tornando o setor altamente sensível a qualquer variação de custo no transporte. Entre os principais fatores que impulsionam o aumento do frete, destacam-se:

  1. Aumento no Preço do Diesel

O custo do diesel é um dos maiores influenciadores do preço do frete. Atualmente, o litro do diesel subiu quase 30 centavos, impulsionado por dois fatores principais:

  • O reajuste da Petrobras nos preços dos combustíveis;
  • A nova alíquota do ICMS, que encareceu ainda mais o valor do combustível nas bombas.
  • Como a maior parte dos caminhões no Brasil depende do diesel, qualquer aumento no seu preço é rapidamente repassado para o custo do frete.

Por exemplo, uma empresa de distribuição de alimentos que abastece supermercados em diversas regiões pode enfrentar um aumento significativo nos custos operacionais. Se o preço do diesel sobe, o frete encarece, e como consequência, o valor final dos produtos no mercado também pode aumentar.

 

  1. Safra Recorde e Alta Demanda no Agronegócio

O Brasil está vivenciando uma super-safra agrícola, especialmente no setor da soja, o que aumenta a demanda por transporte. Atualmente, apenas 27% da safra total foi colhida, o que indica que a necessidade por fretes deve crescer ainda mais nas próximas semanas.

A lógica do mercado é simples: quando há muita carga para transportar e poucos caminhões disponíveis, o preço do frete sobe. Este fenômeno ocorre todos os anos durante a colheita, mas neste ano, a alta se intensificou devido à grande oferta de grãos.

Além disso, o transporte agrícola no Brasil ainda é altamente dependente das rodovias. Se o país investisse mais em ferrovias e hidrovias, a pressão sobre os caminhões seria menor, reduzindo os custos logísticos.

 

  1. Infraestrutura Deficiente e Gargalos Logísticos

Outro fator que contribui para a alta dos fretes no Brasil é a falta de infraestrutura adequada para o escoamento de cargas. Hoje, cerca de dois terços do transporte de cargas do país são feitos por rodovias, o que sobrecarrega o sistema e aumenta os custos.

A ausência de alternativas eficientes, como ferrovias e hidrovias, faz com que o transporte rodoviário continue sendo a principal opção, mesmo quando a demanda está elevada. Como consequência, os valores do frete sobem devido à escassez de caminhões disponíveis.

Impactos do Aumento do Frete na Economia

O aumento dos custos logísticos afeta diversos setores da economia, mas um dos principais reflexos está nos preços dos alimentos. Em 2024, a inflação geral foi de 4,83%, com os alimentos sendo um dos maiores responsáveis pelo aumento. O valor do frete é um dos fatores que encarece os produtos no supermercado, já que grande parte dos alimentos percorre longas distâncias até chegar ao consumidor final.

Outro impacto direto ocorre no agronegócio. Diferentemente do que muitos imaginam, o aumento do frete nem sempre é repassado ao consumidor. Embora muitos imaginem o contrário, o consumidor nem sempre paga o aumento do frete. Em muitos casos, o produtor rural arca com esse custo, já que os preços dos grãos são definidos pela Bolsa de Valores e, ao descontar o valor do transporte, o lucro do produtor diminui.

 

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O Que Esperar para o Frete nos Próximos Meses?

Especialistas afirmam que o preço do frete deve continuar subindo no curto prazo, já que a safra ainda está em andamento e a demanda por transporte deve permanecer alta. No entanto, a partir de abril, espera-se que os valores comecem a se estabilizar, acompanhando a desaceleração do escoamento de grãos.

Além disso, alguns fatores podem ajudar a conter a alta nos próximos meses:

  • Maior oferta de caminhões no mercado, à medida que a demanda por transporte diminui.
  • Possível redução na cotação do dólar, o que pode aliviar os custos de importação de combustíveis e insumos logísticos.
  • Melhorias no setor de transporte, com investimentos em infraestrutura e soluções tecnológicas para otimizar as operações.

 

Conclusão: Como as Empresas Podem se Preparar?

O aumento do frete é um desafio constante para empresas que dependem da logística. Porém, existem estratégias que podem ajudar a minimizar os impactos desse cenário, como:

 

  • Planejamento logístico eficiente, antecipando demandas sazonais e negociando fretes com antecedência.
  • Otimização de rotas e transporte multimodal, explorando alternativas como ferrovias e hidrovias.
  • Uso de tecnologia e análise de dados para prever oscilações no mercado e ajustar operações com maior precisão.

 

Dessa forma, empresas que adotarem uma gestão logística estratégica terão melhores condições de enfrentar as altas no frete e garantir competitividade no mercado.